dígito zero

Num livro, um bocado de vida.

Antonio Alves

Caíssa-me tem uma loja virtual, onde vamos vender nossos livros, vídeos, conhecimentos e habilidades. Vamos ampliando as oportunidades para artistas e produtores culturais independentes, além dos mestres do xadrez -devotos de Caissa-, que precisam de espaço numa sociedade que corre o risco de morrer de inanição cultural. Nossa lojinha há de ter sempre algum alimento saudável para a mente e o coração. Tem gente com produção já pronta e tem coisas novas sendo preparadas.

Por enquanto, só temos um produto na prateleira: a versão digital de um pequeno livro que publiquei no início de 2012, chamado “Política Zero”. Se você ainda não leu, mas acha o título sugestivo ou interessante… Bom, eu gosto do livro, acho que ele tem trechos com alguma densidade, mas é feio a pessoa ficar se auto-elogiando e só sei fazer propaganda pros outros. Mas compre, nem que seja pra ajudar.

Muita gente pode dizer: “política? tô fora, detesto política”. Pois é, eu também. Mas era inevitável que um rapaz latino-americano sem parentes importantes e vindo do interior acabasse se inebriando de utopias no Brasil dos anos 70 e que, depois de girar com a Terra outras 40 vezes ao redor do sol, tenha que refletir sobre o que aconteceu e ainda acontece.

No Brasil de hoje, estamos todos em estado de choque. Nem o louco mais delirante poderia imaginar o tamanho da lambança que seria feita na história da pátria amada, salve, salve. Bem, acho que o modo de pensar, a formatação da cabeça que tínhamos, simplesmente bugou, deu pau, acabou, não serve mais. Imaginem o que é uma reunião que começa com uma “análise de conjuntura”. Nem como piada tem graça.

E não foi a “esquerda” quem faliu, nem a “direita”, nem o partido de cima ou o partido de baixo. A falência foi geral, de todos e tudo, embora a gritaria generalizada na internet seja um mostra de que pouca gente percebe isso. É como um sonho, aliás, um pesadelo, no qual milhões de pessoas se debatem sem conseguir acordar.

Então. Agora que estamos começando outra prosa, senti vontade de retornar às crônicas em que -alguns anos atrás- comecei a detectar esses sentimentos estranhos que eram compartilhados abaixo da linha da consciência, esse submundo psíquico do qual a política era porta de entrada. Sinceramente, não sei se é possível “mudar de assunto” e não tenho qualquer prognóstico ou previsão de futuro. Nem mesmo sei se é possível zerar alguma coisa, especialmente as que ultrapassam o âmbito das decisões individuais. Mas até isso, o que é realmente “individual” ou “coletivo”, acho que podemos questionar e entender de outro jeito.

Para entender o momento em que nasceu Política Zero, veja o vídeo do Silvio Margarido aí embaixo. Leia o livro. E vamos continuar conversando.

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