Amor mineiro

Eu sou suspeita para falar sobre Belo Horizonte porque, desde o início, essa cidade roubou meu coração. Desde o primeiro passeio na Praça da Liberdade, a primeira saída com os amigos no Maleta, o lanche no Rei do Pastel ou todas às vezes que subi Bahia e desci Floresta. Belô tem algo de diferente, é um jeitinho mineiro que vai te encantando nos detalhes, até você ficar completamente apaixonada.

Semana passada eu tive o prazer de rever esse lugar, que durante dois anos foi o meu lar. E tinha amor em cada ladeira (que literalmente me tirava o ar) e rua de pedra. Belo Horizonte é uma cidade que pulsa, cheia de vida.

Enquanto estava lá, acontecia a “MAX – Minas Gerais Audiovisual Expo”, um evento de fomento ao audiovisual. É como uma Expoacre, só que com filmes em vez de gado. Ou seja, muito melhor. Ao mesmo tempo, acontecia a 11a Edição da Mostra Cine BH, que ocupou nove espaços da capital mineira para exibir filmes gratuitamente, além de oficinas, workshops e uma programação voltada para escolas e o público infanto-juvenil.

Os dois eventos, juntos, montaram um verdadeiro cinema na Praça da Estação – um dos pontos turísticos da cidade, que fica em frente ao metro – com exibição de clássicos do cinema., o que me proporcionou o momento de quase congelar de frio enquanto assistia “Janela Indiscreta”, de Alfred Hitchcock.

A estrutura do cinema ainda estava sendo desmontada, no domingo (27), quando a Praia da Estação e a Ocupação tomaram a rua Aarão Reis e a parte de baixo do Viaduto de Santa Tereza, realizando discotecagem, competição de skate, dança, teatro e muita manifestação cultural. O evento-manifestação cultural faz parte de um movimento que pretende ocupar os espaços públicos da cidade.

Ocupar é a palavra-chave para o que acontece, não apenas em Belo Horizonte, mas em muitas capitais. A cidade nossa, das pessoas, não apenas um lugar de passagem. Esse foi tema do documentário “A Rua é Festa”, dirigido e produzido por Indaiá Mattos, Luíza Martins e Pedro Paixão, filmado com um celular e realizado como trabalho da disciplina Oficina de Narrativas Audiovisuais do curso de jornalismo da Universidade Federal de Minas Gerais. Um punhado de acreanos já viu, pois o filme foi exibido durante a Semana do Cinema Possível, em Rio Branco.

Talvez seja por isso que eu ame Belo Horizonte. Ela está ocupada, invadida, respirando cultura em suas praças, ruas e viadutos.

Eu gosto de lugar com cara de gente. Lugar que as pessoas param no meio da tarde para bater um papo entre uma palestra e outra, só porque estava com saudade. Que aproveita um domingo ensolarado para ir as ruas, passear na feirinha, ver os amigos. Lugar em que se fica conversando até altas horas da noite, enquanto toca violão. Em que o sotaque é carregado, pra não deixar dúvidas de onde vem. Onde as pessoas se despedem com abraço coletivo, só pra mostra que o amor existe ali. Daquele jeito, bem mineirinho.

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