Cinefilia: documentários para ver e refletir

Veriana Ribeiro

Conheça alguns documentários que vão te fazer refletir sobre o mundo a sua volta.

O  cinema tem a capacidade de transformar a fantasia em realidade. Através dos filmes, podemos ser Ingrid Bergman encontrando um antigo amor no Marrocos, ou Tom Cruise tentando se salvar de uma emboscada em Praga. Por isso que, para muitos, a programação preferida para o fim de semana é sentar na frente da TV com um balde de pipoca e ver um bom filme.

Mas ás vezes, os filmes também tem a capacidade de nos mostrar a realidade, ou pelo menos outras realidades, diferente daquela que vivemos. É o caso dos cinco documentários abaixo. Através de histórias incríveis, eles abordam temas como racismo, autismo, gênero, educação, violência, exploração, entre tantos outro. A maioria dos documentários pode ser encontrada na Netflix.

Girls Rising, de Richard E. Robbins

A Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura) estima que mais de 65 milhões de meninas estejam fora da escola. Um dado alarmante, mas que parece distante quando apresentado como número. Mas e se dermos rostos para essas garotas? E se apresentarmos suas histórias? É exatamente isso que o documentário “Girl Rising”, dirigido por Richard E. Robbins e produzido por Martha Adams, faz. De forma lúdica, ele conta a história de nove garotas que vivem em diferentes países do mundo e lutam todos os dias para estudar. As garotas interpretam a si mesmas, suas histórias são contadas através das palavras de escritores de seus países de origem e narradas por atrizes renomadas, como Meryl Streep, Anne Hathaway, Kerry Washington e Selena Gomez. Único filme da nossa lista que não se encontra na Netflix, o documentário pode ser comprado no site oficial ou facilmente encontrado para baixar na internet.

A 13ª Emenda, de Ava DuVernay

Em uma indústria que tem dificuldade de incluir mulheres e negros em suas produções, a diretora Ava DuVernay abre caminhos em Hollywood. Seu trabalho mais recente é “A 13ª Emenda”, que concorreu na categoria de melhor documentário no Oscar de 2017. Centrado no sistema carcerário e étnico nos Estados Unidos, o título é uma referência à décima terceira emenda da constituição norte-americana, que aboliu a escravidão e servidão involuntária, mas abre uma brecha para casos relacionados a condenação criminal. A partir daí, a diretora analisa o processo de encarceramento em massa, principalmente de afro-americanos, como uma alternativa para manter a mão de obra escrava, tendo em vista que o país apresenta a maior população carcerária do mundo.

Life, Animated, de Roger Ross Williams

O documentário “Life, Animated”, do diretor Roger Ross Williams, mostra a capacidade que o cinema tem de mudar a vida das pessoas ao acompanhar a trajetória de Owen Suskind. Eles é um rapaz de 23 anos que está prestes a se formar e prepara-se para morar sozinho pela primeira vez na vida. Nada demais, não é? A história, comum para muitos jovens, é uma grande vitória para Owen, que aos três anos foi diagnosticado com autismo. Durante anos, o rapaz não conseguiu se comunicar com a família, mas através dos filmes da Disney ele foi capaz de se relacionar com o mundo a sua volta. Através de diálogos ou músicas encontradas nas animações, sua família conseguiu, aos poucos, se conectar com Owen e possibilitar que o garoto adquirisse autonomia durante os anos. Uma jornada emocionante, tal como dos heróis que ele tanto admira.

She’s Beautiful When She’s Angry, de Mary Dore

Resgatando a história do movimento feminista dos Estados Unidos na década de 1960 e 1970, o documentário “She’s Beautiful When She’s Angry”, dirigido por Mary Dore, mostra que o passado não está tão longe quanto imaginamos. O filme começa com manifestações recentes sobre direitos reprodutivos, que se deram em Austin, no Texas. A partir disso, ele vai abordando a história do movimento feminista e tocando em temas como estupro, feminicídio, sexualidade feminina, contracepção, aborto, maternidade, entre outros. Os temas, ainda atuais nas discussões sobre gênero, mostram que apesar dos avanços nas últimas décadas, os direitos adquiridos pelas mulheres e o movimento feminista não são garantidos.

The True Cost, de Andrew Morgan

Realizado através de uma campanha no site de financiamento coletivo Kickstarter, o documentário “The True Cost“, idealizado pelo cineasta Andrew Morgan tenta responder uma simples pergunta: qual o valor das roupas que usamos? Não trata-se do preço das peças vendidas nas vitrines, mas qual o impacto que a confecção dessas roupas tem no planeta e na vida das pessoas que fazem parte da cadeia produtiva da moda. Para isso, o diretor conversou com diferentes representante, desde trabalhadores que ganham dois dólares por dia até proprietários de fábricas têxteis, produtores de algodão, ativistas de direitos humanos e economistas que estudam a indústria da moda.

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