rua Acre

Antonio Alves

Caminho pela rua Acre e adjacências, ao sol do meio-dia, na calorosa cidade de Manaus. Estou em busca de um restaurante aberto neste feriado da Pátria, para comer algo que mate a fome mas não me ponha pra dormir, porque daqui a pouco vou jogar a primeira rodada do Torneio Regional Norte de Xadrez. Sei que virar a noite num avião e andar sob um sol de rachar o côco não é a melhor preparação, mas confio nas compensações do destino, vejam só: o hotel fica numa esquina da Av. Rio Branco, o Clube Manauara de Xadrez é na rua Acre e o bairro chama-se Vieiralves.

Fazem quase 30 anos que não ando pelas ruas de Manaus. Estive aqui em fevereiro de 1988 para jogar um torneio Zonal Norte, que dava quatro vagas para a semifinal do Campeonato Brasileiro. Na última rodada, disputei o quarto lugar no torneio contra o jovem Andrey Neves, e não podíamos empatar, pois outro ficaria com a vaga. A partida foi uma montanha-russa de vantagem para um lado e para outro, até que ele ganhou.

Agora como Mestre Fide, campeão do Norte várias vezes e já não muito jovem, Andrey Neves foi me buscar no aeroporto às 4 da madrugada para atender ao chamado da amizade e da rivalidade que mantemos há 3 décadas. Com ampla vantagem dele no Xadrez, reconheço, mas jamais com facilidade. Assim espero jogar esse torneio, ciente da força dos jogadores do Norte, especialmente do Amazonas e da forte equipe que vem de Roraima, mas disposto a “dar trabalho” e, quem sabe, acertar alguma pedrada no gigante.

Manaus mudou, nesses anos: está ainda mais exageradamente quente e caótica. Mas estou gostando da estética turística, amazon look, açaí com asfalto. Achei um restaurante na esquina da rua Purus, que serve tambaqui gourmet e milk-shake de buriti. Melhor, muito melhor do que o rodeio breganejo, barretos look, que vem pela estrada para dominar o Acre. Esse é um jogo que estou perdendo, reconheço, mas ainda não terminou e vou resistindo, com esperança de virar.

Caissa esteja comigo. Amanhã eu conto como foram as rodadas de hoje.

 

 

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