Baixaria Paulista

Veriana Ribeiro

A   saudade é um sentimento que se apresenta de várias formas. Pode vir através de uma fotografia, que te leva para tempos longínquos, ou de uma música, que te lembra aquele antigo amor. Ou pode vir através da culinária, e quando o tempero é difícil de encontrar, como o que vem do Norte, matar essa saudade fica mais complicado. Mas em São Paulo, a acreana Amanda Vasconcelos trouxe um pedacinho da amazônia para o meio da cidade de concreto através da cozinha itinerante Tucupi, que até o dia 24 de setembro está no restaurante Mirante Efêmero. A cada dois meses, a cozinha do Mirante 9 de Julho abre suas portas para novos chefs e cozinheiros.

Baixaria faz sucesso entre paulistas. Foto por Guillermo White.

No cardápio, baixaria, tacacá, maniçoba, kibe de macaxeira, entre outras iguarias. Os nortistas costumam procurar o estabelecimento para matar a saudade da terra natal, pessoas vindo do Amazonas, Pará e Acre, mas os paulistas ainda são a maioria da clientela. As comidas também ganharam versões vegetarianas, como a santidade, criação da própria Amanda, que substituí a carne moída da baixaria por cogumelos e o ovo por banana. “A baixaria e a santidade são os que mais saem. O público gosta muito, eles [os paulista] só acham estranho que os acreanos comam isso no café da manhã. Tem gente que trabalha na Av. Paulista, aqui perto, e todo dia vem almoçar uma baixaria”, conta Amanda.

O tacacá costuma ser um prato que divide gostos, alguns amam, outros acham o tempero muito forte. Amanda costuma oferecer uma amostra do tucupi pra quem não conhece, pra pessoa decidir se vai comer mesmo. “Mas tem gente que vem procurar porque sempre teve vontade de experimentar. Ainda assim, sai muito nos fins de semana”, diz ela. Eu experimentei o prato e comprovei: tem gosto de casa.

A culinária fez sucesso e costuma atender uma média de 100 pessoas por dia, durante a semana, e 400 clientes aos fins de semana. Para Amanda, acostumada a fazer eventos culinários, a experiência de trabalhar diariamente na cozinha foi nova. “Aqui você tem que programar a comida pra semana inteira, porque muitas delas levam dois ou três dias para ficarem prontas. É muito imprevisível, um fim de semana sai muito tacacá, no outro, é só dadinho ou quibe. Mas deu para ter uma noção melhor de como é ter um restaurante”, explica.

Para atender à demanda, Amanda teve que conseguir fornecedores de Belém, onde ingredientes mais específicos, como o tucupi ou o jambu, chegam ainda frescos. Após o período no Mirante, o projeto volta a trabalhar de forma itinerante. Mas ainda é possível aproveitar a última semana deste tempero nortista. O local fica aberto de terça a domingo, das 12h às 22h. Os pratos variam entre R$ 12 e R$ 28.

Tacacá divide opiniões. Foto por Guillermo White.

Tucupi Food
A acreana Amanda Vasconcelos tem 26 anos e há seis, mora em São Paulo. Arquiteta, divide-se entre a profissão e a cozinha para conseguir manter-se em São Paulo. Há dois anos criou o Tucupi, uma cozinha itinerante que trabalha com eventos culinários. No começo, a ideia era misturar comidas mundiais com temperos do norte, como é o caso do acreviche, uma criação da cozinheira em que o tradicional ceviche peruano é marinado com tucupi. Com o tempo, a demanda por comidas do norte foram aumentando.

“As pessoas perguntavam se a gente realmente comia essas coisas no norte, tinham curiosidade em saber quais eram os pratos típicos, então um dia decidimos fazer um evento só com comidas do norte, principalmente do Acre e do Pará. E deu muito certo”, conta.

Para saber mais informações sobre o Tucupi, acesse o facebook e o instagram, onde eles divulgam seus eventos.

Política Zero

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *