No Fluxo

Veriana Ribeiro

Assim que entro na estação do metrô de Santa Cecília, em São Paulo, percebo: peguei o fluxo. Horário de pico e lá está aquele mundaréu de gente. Gente de tudo que é jeito: magro, gordo, alto, pequeno, negro, branco, mulher, homem, e tudo o que está no meio. É gente que não acaba mais. Olha, olha, e não vê o fim. Milhares de cabecinhas andando em linha reta pra passar o bilhete do na catraca e fazê-la girar. E isso faz a gente pensar em cada coisa enquanto entra na fila… Porque no fluxo só tem fila.

Como o fato de que cada um é apenas um, entre centenas, milhões, bilhões de seres humanos. O que valem nossas dores, que parecem tão importantes, quando existem tantas outras dores pelo mundo afora? O que valem nossas alegrias, no meio de todas as felicidades que estão aí sendo compartilhadas? Quanto vale um ser humano neste mundo tão cheio de outros seres humanos?

Quanto que eu tô valendo?

Baixa a cabeça menina, tu não é tão importante assim. Olha aí esse mundo de gente pra te mostrar que você é apenas mais um. Baixa a cabeça menina, tu não vale tudo isso. Olha aí esse monte de gente interessante, diferente, descolada, com seus livros, músicas, artes, sonhos, desejos, inseguranças, medos.

Tu é só mais um. Entre centenas, de milhares, de bilhões de seres humanos. Um pedacinho de poeira cósmica. Então para de chorar, que a vida anda. Como as linhas do metrô, o tempo todo tem gente entrando e saindo e o tempo não para. Ninguém espera. Então corre! Corre, se não você perde o trem.

É, menina, pegar o fluxo no metrô é um constante exercício de humildade. Recomendo. Faz bem pra alma se sentir pequenininho. Coloca a vida em perspectiva.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *