de volta

“Ora, direis, ouvir estrelas!”

Antonio Alves

A noite cálida sussurra antigamentes. Me faz entender o valor e a necessidade dos retornos. Se quero ter saúde, diz-me, há que reviver as alegrias do tempo: os versos eternos dos poetas que deram cor de outono às minhas primaveras, o movimento dos barcos na beira do rio, as frases cortantes de Krishnammurti desfolhando ilusões, mirações à luz de vela, banho de estrelas nas águas do açude, a vitória de Capablanca sobre Nimzovitch em 1927, a meditação na rede ao som dos grilos… tudo o que se depositou em mim como limo no fundo da água e ainda é possível sentir com os pés.

Quem teve, como eu, a palavra dos antigos com chá de cidreira na mesa rústica da cozinha, o café com jacuba no chão de paxiúba e a longa caminhada sob a chuva nos varadouros, não pode amofinar-se em tristezas virtuais. Consuma-se o mundo em sua guerra incessante, sua ofegante ansiedade, seu esgar. Que se farte de mesquinhez. Eu tenho o tempo das pedras, dá licença.

Uma revolução, pra mim, é muito pouco. Vou gastar atenção com brigas? Eis o que penso sobre tudo o que passa na tela dos dias, minha resposta a qualquer pergunta: o que não altera o brilho da Estrela D’alva não interrompe meus passos nem determina meu rumo. Como Gil cantava há tanto tempo, “se oriente, rapaz, pela constelação do Cruzeiro do Sul”.

Escuto a noite e sigo em frente, sempre no princípio.

 

 

Política Zero

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