Às espadas

Antonio Alves

Vai começar a disputa pelo título de campeão acreano de Xadrez de 2017.

Desta vez, com um sistema parecido ao da disputa pelo título mundial: o campeão atual fica esperando, sentado em seu trono, enquanto os pretendentes disputam um Torneio de Candidatos para ver quem será o Desafiante. No caso do “mundial acreano”, o torneio de candidatos se inicia no próximo final de semana e o seu vencedor disputará, contra o atual campeão, um match final de seis partidas, previsto para o início de novembro.

Atualmente, tenho a honra e o privilégio de ostentar o título acreano, conquistado num duro torneio no final do ano passado. E não espero que este ano seja menos duro, pois os mais fortes do estado estão inscritos para o torneio e o vencedor sairá do forno da disputa aquecido e disposto a me tomar a coroa. Ele já conhece seu alvo, eu só saberei quem ele é poucos dias antes de enfrentá-lo (há pelos menos dois favoritos e uma zebra, sem contar alguma surpresa). Dizem que a idade é outra desvantagem para mim, mas não ligo pra isso, quinze ou vinte ou mesmo trinta anos fariam diferença se tivessem sido mal-vividos e esse não é meu caso. Em todo caso, preciso de algum tempo para arquitetar dois ou três planos, como fiz no ano passado.

É muito bom para o Acre que exista um punhado de cidadãos que consideram importante o campeonato estadual de Xadrez. Fico analisando o grupo dos melhores enxadristas locais. Há um bocado de estudantes, bons alunos em suas escolas, mas a maioria já está na batalha para sustentar a família. Há médicos, engenheiros, policiais militares e civis, professores, jornalistas, técnicos em informática… de tudo um pouco. Alguns são filiados a partidos, mas a maioria só faz política à distância, com uma enorme variedade de opiniões e preferências ideológicas. Normalmente, ninguém concorda com ninguém, qualquer que seja o assunto, principalmente se for Xadrez.

Mas há um simbolismo na disputa do título de campeão acreano -pelo qual todos ficam especialmente atraídos- que diz respeito a um valor coletivo, algo como o “espírito do tempo” que quer impor-se ao menos em um território e uma coletividade. Para citar os campeões recentes: até o ano passado, era o médico cubano Dino Cabrera. Em segundo -e sempre forte pretendente ao título- vinha o matogrossense Neimar Dantas, engenheiro da Eletronorte. Antes estava no posto o acreano, hoje formado em Direito e funcionário do INSS, Adriano Leão. Todos se casaram no Acre e tem filhos acreanos. Cada um deles tem seus laços com setores vários da sociedade local, através da profissão, família, religião, bairro ou município onde mora, ambientes que frequenta. E coloca na disputa de um torneio de Xadrez uma grande porção de sua auto-estima e de sua afirmação na coletividade. Sua vitória ou derrota é não apenas de sua inteligência e força pessoal, mas dos valores coletivos expressos em sua inserção na sociedade. O Xadrez é seu esporte, sua ciência e sua arte.

Isso tem a ver com a qualidade do ambiente cultural, da inteligência coletiva, da “mentalidade” do povo que vive nesta terra. Todos sabem que o esporte é representação das disputas na sociedade. O Xadrez representa um tipo particular de disputa, serve de metáfora para a política (na imprensa se vê constantes referências ao tabuleiro e às peças, principalmente antes das eleições) e para as batalhas em que se conquista poder e território, nas quais se exige visão estratégica e capacidade de calcular, antever o futuro, atacar e defender.

Pessoalmente, fico muito contente em ser o “campeão mundial acreano”. E vou me esforçar para manter o título. Perdendo ou ganhando, no entanto, tenho o saudável orgulho de fazer parte dessa casta de gladiadores que fazem retinir suas espadas sob o olhar atento e justo de Caissa.

 

 

Política Zero

2 thoughts on “Às espadas

  1. Parabéns Toinho …
    Uma ótima descrição das vitórias dos gladiadores enxadrista e sobre a importância do campeonato Acreano, para o crescimento do xadrez e tbm dos seus campeões ; visando suas filosofias ,ideologias que revelam um campeão um guerreiro em muitos segmentos da vida e cada um com seu brilho com sua arte , ciência e Sport difundido de maneira, clara, coesa no xadrez, porém ,muitas vezes incertas ,porq grandes campeões derrubam dogmas ! E uma desses derrubadas é o amor ao Sport e sinto isso, em vc é nas suas partidas trazer o novo e ao mesmo tmp criar assim como no campos das ideais como ;ideologias, teorias,q tbm fazem parte do xadrez como ;estratégia ,táticas com um grande diferencial ; enquanto os incrédulos só acreditam q é uma ideal ; variantes ;lances ou senquencias sem futuro os campeões se matem com o título, porq simplesmente vivem em suas vidas aquilos q são :logo, acreditam no seu semelhante porq primeiro acreditamos em nos mesmo e damos glórias a Deus pela a dádiva da vida por nós dar atravéz do conhecimento, da amizade, exemplos de vidas ;q nos faz exerga nada menos q uma arte divina ! Sejamos peças de Deus pra mover e semear o melhor nos corações do homem parabéns a vc amigo Toinho pelo o título é q vc possa continuar dando o seu melhor pró xadrez no Acre tmj amigo ! Top 👏👏👏

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