Uma partida de Xadrez

Antonio Alves

Serão jogadas no próximo sábado as duas rodadas finais do Torneio de Candidatos, semifinal do campeonato acreano de Xadrez, que define quem jogará o match final contra o atual campeão (este locutor que vos fala) na disputa do título. O favorito isolado agora é Dino Cabrera, que tem 4,5 pontos, com Marcos Venícius Carneiro em seus calcanhares, com 4,0. Se não houver tropeços, já tenho que me preparar para enfrentar o temível cubano, osso duro, que vem ainda mais preparado depois de passar um mês de férias em sua ilha natal, lugar que tem um dos ambientes de Xadrez mais fortes do planeta.

Digo “me preparar” mas, com o tempo curto e necessidade de usá-lo para ganhar o sustento da família (que deve crescer com a chegada de uma menina por esses dias), creio que a principal preparação será psicológica. Não estou antecipando desculpas, não sou disso. De fato, o tempo anda curto para estudar e treinar. Mas acredito que a preparação do ano passado ainda não perdeu seu prazo de validade e, como costumo dizer, capivara velha tem o couro duro. Vai ser uma boa peleja.

O outro favorito para ganhar a condição de Desafiante teve que adiar sua chance para o próximo ano. Neimar Dantas, que sempre tem lugar garantido no pódio estadual, abandonou o torneio premido por compromissos de família e trabalho. Suas chances já estavam menores depois de perder a partida contra Dino Cabrera, é muito difícil recuperar um ponto perdido numa competição de 7 rodadas.

Como Neimar não está mais na disputa, é uma partida que joguei contra ele que quero mostrar. Nos enfrentamos na última rodada do campeonato do ano passado. O empate me bastava para ficar com o título, mas joguei pra ganhar. Gosto especialmente dessa partida, não apenas porque é equilibrada até nos erros de ambos os lados, mas também porque cheguei ao final com vantagem de tempo -e o relógio foi, durante muitos anos, meu grande inimigo.

Pressionado pelo tempo, Neimar deixou escapar as chances de empate. Como disse o antigo mestre Tartakower, “em Xadrez, ganha aquele que comete o penúltimo erro”.

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