Só sendo

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O homem só escora-se em si:

num pé e noutro acha seu sustento

– que o chão nunca lhe falta e é tudo que mantém.

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Cego em que o ouvido lhe sussurra

e surdo no que o olho pinta e borra,

engole insosso o pão que a mão sem pele amassa

e não cheira, nem fede.

Inventa por fim outros sentidos e às margens chega

do mar do nada em que não morre ou mata

a sede que não tem.

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O homem só é ninguém.

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